domingo, 18 de abril de 2010

Noite de autógrafos na Câmara


Autoridades e amigos de Cachoeira, São Félix Maragojipe prestigiaram ontem na Câmara de Vereadores, a noite de autógrafos do professor, advogado e escritor Jadson Luiz dos Santos, para segunda edição revista ampliada do livro Cachoeira-III Séculos de História. A obra aborda ainda aspectos históricos das cidade de Maragojipe e São Félix. Dentre os presentes estavam, a vice-presidente da Câmara, a vereadora Maria Lúcia Costa Santos, o secretário de Cultura e Turismo de Cachoeira, Lourival Trindade Filho, o ex-prefeito de Cachoeira Salustiano Coelho de Araújo, o ex- prefeito de Margojipe Domingos Albuquerque, o ex-secretário de Cultura e Turismo de Cachoeira, Antônio Moraes Ribeiro, professor Antônio Pereira, atual presidente do Sindpuc, a sambista Dalva Damiana de Freitas e ex-vereadora Yolanda Pereira Gomes, além de uma representante do Governo do Estado. O presidente da Mesa Diretora da Câmara de Vereadores, Carlos Menezes Pereira, não pode comparecer e enviou uma mensagem justificando a sua ausência e, ao mesmo tempo, parabenizando a iniciativa do escritor. O ato contou com a participação da Sociedade Lítero Musical Minerva Cachoeirana.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Lançamento

Será lançado na Câmara de Vereadores neste sábado, 17, às 19h, a 2ª Edição do livro Cachoeira III Séculos de História e Tradição, de autoria do cachoeirano Jadson Luiz dos Santos. A obra, revista e ampliada, retrata ainda, aspectos das histórias dos municípios de São Félix e Maragojipe.

Sessão Especial em homenagem ao Rotary Club

A Câmara de Vereadores de Cachoeira promove na próxima segunda-feira, 19, Sesseão Especial em comemoração ao aniversário de fundação do Rotary Club de Cachoeira, às 19h30min. A indicação é de autoria do vereador Carlos Pereira(PMDB).

terça-feira, 23 de março de 2010

Sessão Itinerante no povoado do Saco

A Câmara promove na próxima quinta-feira, dia 25, às 16 horas, sessão itinerante,na sede da Associação de Moradores e Produtores do Saco. A iniciativa da sessão é de autoria do vereador Júlio Cesar Costa Sampaio.

Sessão ordinária da Câmara :22 de Março de 2010

Dia Mundial da Água
O vereador Carlos Menezes Pereira discursou sobre o Dia Munidal da Água, coemorado ontem em todo mundo. O edil utilizou dados estatísticos da ONU e do IBGE para alertar apopulação apra os problemas com aescassez de água no planeta. Relatou que em Cachoeira, algumas comunidades já estou sofrendo com o problema e lembrou que juntamente com outros colegas e lideranças comunitárias esteve na sede da CAR, reivindicando a implantação de sistemas simplificados de abastecimento de água para diversas localidades da zona rural de Cachoeira. Falou da preocupação com a preservação dos manaciais que abastecem à população e dos cuidados que cada um dever ter para lidar com água.

Casa de farinha comunitária
O vereador Wnedel Chaves da Silva narrou que esteve recentemente esteve na comunidade da Baixa Grande acompanhado de técnicos da CAR, com objetivo de realizar estudos para a elaboração de projeto par a aimpantação de uma casa de farinha, apedido dos moraodres daqulea localidade. Ele agradeceu o apoio que os moradores da Baixa Grande têm recebido do prefeito de Cachoeira para tornar viável o projeto. Wendel Chaves ainda soliciotu providênias á Secretaria deObras e Meio Ambiente para melhorias da rua da Serraria, no povoaod da Murutuba.
Agricultura familiar e alfabetização
A vereadora Eliana Gonzaga de Jesus, pro ua vez, destacou a visita que fez à agência o Banco do Nordeste do brasil em camaaçari, one foi tratado a liberação de financiamento para os produores rurais de Cachoeira, para fomentar a agricultura familiar. A vereadora anunciou que foi firmado conv~enio entre o Sindicatos dos Trabalhadores Rurais, Governo do Estado e Secretaria de Educação do Estado, através da Direc, para novas turmas de alfabetização de adultos do projeto Topa. Eliana Gonzaga reivindicou do Executivo municipal a criação das secretarias especiais de Reparação Racial, e da Mullher. A vereadora explicou é o municípo necessita de ampliar suas ações especícas para atender a estes segmetos da sociedade cachoeirana.
Iluminação do Jardim Grande
O vereador José Carlos Matos Silva agradeceu à Secretaria de Obras e Meio Ambiente, o atendimento à sua reivindicação, no que diz respeito à iluminação pública da Praça Ubaldino de Assiss , mais conhecida como Jardim Grande. Matos Silva disse que a diversas ruas do Capoeiruçu estão ás escuras e pediu providências à Secretaria de Obras e Meio Ambiente. Ele solicitou que aMesa Diretora da Câmara convocasse o presidente do Sindpuc, professor Antônio Pereira, para que o mesmo possa explicar o que está contecendo com os salários dos servidores municipais. O vereador também registrou a passagem do Dia da Água e falou da manifestação que foi realizada ontem pela manhã em alusão à data.
Estaleiro do Paraguaçu
O vereador Gevaldo Simões aproveitou a fala do colega Luis Carlos de Freitas Monteiro, e disse que diante dos fatos narrados, avaliou que há uma crise na saúde pública do município. Disse que há denúncias de médicos que não são médicos, da ausência de profissionais em diversas unidades e de agentes comunitários de saúde. Gevaldo sugeriu que fosse convocado para dar explicações o secretário Mamede Dayube, sobre a situação da saúde em Cachoeira. Em seguida, falou da audiência que teve com o secretário estadual da infra-estrutura João Leão onde foi tratado o tema da implantação do Estaleiro Enseada do Paraguaçu no vizinho município de Maragojipe. O vereador destacou os benefícios que o investimento promete trazer com abertura de novos postos de trabalho e melhoria de infra-estrutura dos municípios no entorno da obra. Ainda conforme Gevaldo Simões, está previsto o beneficiamento da estrada de Santiago do Iguape como parte da melhoria da infra-estrututra regional para o acesso ao investimento.

Obras de Saneamento
O vereador Luis Carlos de Freitas Monteiro convidou seus pares e toda sociedade para reunião com os moradores da Faleira e Lagoa Encantada, marcada pela Embasa e a Empresa de Engenharia Macro, no dia 25 de março, no Clube de Campo de Cachoeira. Segundo o vereador, a reunião que também deverá contar com a presença do prefeito Fernando Antônio da Silva Pereira, será para discutir a implantação de uma estação de tratamento de esgoto na localidade da Lagoa Encantada e que vem sendo questionada pelos moradores. O vereador, em seguida , disse que constatou em visita recente, a ausência de agente comunitário de saúde nas localidades do Tororó, Maria Preta e Vitória. Segundo ele, essas comunidades estão descobertas há onze meses e há o risco do município ser penalizado com a suspensão do repasse do PAB(Programa de Atenção Básica), já que o município não pode deixar a população sem os serviços do agente comunitário de saúde por um período tão longo. O vereador informou que vai procurar o Ministério Público Estadual, a Dires e a Secretaria Estadual de Saúde para pedir providências.

Vereador cobra vagas para alunos do Prominp
O vereador Júlio César Costa Sampaio usou o tempo das representações partidárias para cobrar mais uma vez, empregos no canteiro de obras da Petrobras em São Roque do Paraguaçu para as pessoas que fizeram o
O Prominp - Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia. De acordo com o vereador, muitas pessoas largaram seus empregos para fazer o curso de qualificação e até agora não foram engajados no trabalho que a Petrobras executa no distrito de Maragojipe com a construção de duas plataformas de perfuração de petróleo e a manutenção de duas outras. O vereador Júlio César que esteve recentemente no canteiro de obras na companhia de outros edis, disse que foi informado que os trabalhadores estavam em greve e que os trabalhos estavam paralisados.

Ele prometeu voltar ao local para obter maiores informações sobre a oferta de vagas para as pessoas que fizeram o Prominp. O vereador foi apartedo pelo colega Gevaldo Simões que disse que estava havendo um equívoco por parte das pessoas sobre o canteiro de obras de São Roque do Paraguaçu e a implantação do Estaleiro da Enseada do Paraguaçu que promete gerar oito mil vagas na região. O vereador Júlio Cesár nao concordou e disse que tem conhecimento de que o canteiro de obras de São Roque do Paraguaçu está absorvendo mão de obra indicada por intermédio de cartas. Que no seu entender não é justo com aqueles que fizeram o curso de especialização.

Ainda em sua fala, o vereador Júlio Cesar nformou que esteve com o major PM Domingos, responsável pelo comando na região, para falar sobre a viatura que deverá vir para Cachoeira para ser incorporada á frota da unidade local. Segundo ele, foi publicado no Diário Oficial do estado que Cachoeira estaria na lista das cidades baianas que seriam contempladas com uma viatura da frota adquirida pelo Governo do Estado. O vereador registrou também o falecimento do presidente da Câmara de Vereadores de Serrinha, vítima de acidente automobilísitco no dia de ontem. Propôs à Mesa da Câmara uma Moção de Pesar pelo ocorrido com o político.

Maria Lúcia fala do Dia Mundial da Água
A vereadora Maria Lúcia Costa Santos em sua fala fez menção ao Dia Mundial da Água comemeorado ontem. Ela chamou atenção da população para o desperdício do líquido que já e tá faltando em alguns locais do município e aproveitou para cobrar da Embasa o conerto de parte do calçamento da Ladeira da Cadeia que foi danificado com a quebra de um trecho da tubulação que abastece o bairro. A vereadora também deu algumas dicas paraas pessoas economizarem água em suas residências. Maria Lúcia agradeceu á Secretaria de Obras e meio Ambiente do município pela colocação de cestos de lixo em diversos pontos do centro urbano.

sábado, 20 de março de 2010


Funcionárias da Câmara de Vereadores nas comemorações do dia 13 de março de 2010, juntamente com o presidente Carlos Menezes Pereira, a vereadora Maria Lúcia Costa Santos e o advogado Carlos Lago Neto.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Discurso do jornalista Jorge Ramos,orador do aniversário de Cachoeira

Eis a íntegra do discurso:
Senhoras, Senhores e Jovens de Cachoeira

Saúdo, em especial, as personalidades e autoridades, aqui presentes ou representadas.

Convém registrar, em primeiro lugar, o agradecimento sincero pelo honroso convite para aqui estar convosco, dialogando sobre Cachoeira, seu passado histórico, seu presente vivificado e seu futuro que esperamos construir de maneira socialmente justa para que venha a ser amplamente venturoso e sustentável.

Ouso aqui, talvez inspirado na vasta galeria de gerações de homens e mulheres talentosos que Cachoeira produziu, recorrer ao sábio francês Voltaire - filósofo do Iluminismo, adorador das liberdades civis e crítico mordaz de todas as formas de tirania e preconceitos - lembrando de um trecho do discurso que ele proferiu ao tomar posse na Academia Francesa, em 1746. Disse Voltaire: Que me seja permitido, senhores, entrar aqui convosco, em discussões literárias; minhas dúvidas se valerão de vossas decisões. É assim que poderei contribuir para o progresso das artes; e eu gostaria mais de pronunciar, perante vós, um discurso útil do que um discurso eloquente.”

O ambiente austero deste Salão, - onde aqui pisaram os dois imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II, presidentes, ministros, governadores, deputados e senadores - inspira-me a buscar forças e energia para tentar sintetizar num discurso útil, como disse Voltaire, as múltiplas páginas de exemplos fartos, de homens e mulheres, guerreiros e artistas, que através de 312 anos construíram Cachoeira. Sei que este é um desafio hercúleo, pois tantos e grandiosos são os fatos históricos, quão poucos e limitados são os nossos recursos.

Sim, são 312 anos de história que Cachoeira, essa jóia do patrimônio histórico brasileiro, deveria estar comemorando. Nossa cidade tem o sortilégio de ter muitas datas para brindar e festejar. Hoje aqui, neste 13 de março, festejamos apenas os 173 anos de sua emancipação política. Mas, em verdade, deveríamos festejar muito mais o 29 de janeiro de 1698 quando foi criada a Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira. Aí sim, começa a nossa história documental. Ademais, temos outra data, essa mais que expressiva : o Glorioso 25 de Junho, de indiscutível e inegável relevância para a própria História do Brasil. Eis aqui, retratado através do traço genial de Antonio Perreiras, uma representação da epopéia cachoeirana. A licença poética permitiu ao artista representar numa única cena três episódios que aconteceram em momentos distintos: a Aclamação de Dom Pedro, feita na manhã do dia 25, aqui da sacada desta Câmara, o bombardeio da vila e a morte do Tambor Soledade, nas horas seguintes, e a barca invasora, em frangalhos pois fora tomada pelos cachoeiranos no Paraguaçu, fato que só viria a ocorrer três dias depois. E uma curiosidade histórica: este quadro, cópia reduzida do que está no Palácio Rio Branco em Salvador, foi encomendado a Parreiras pela Intendência Municipal, mas curiosamente jamais foi pago. O quadro maior fora encomendado pelo Governador Vital Soares em 1928. Parreiras veio pessoalmente a Cachoeira e aqui passou pouco mais de um mês encantando-se com o acervo da cidade, notadamente o belo conjunto da Ordem Terceira, que ele confessa não ter visto igual, nem mesmo no Vaticano. Está relatado em sua autobiografia "História de Um Pintor."
Os dois quadros só foram concluídas e entregues três anos depois, quando o Brasil vivia em plena ebulição decorrente da Revolução de 1930, que alterou brusca e radicalmente a estrutura político-institucional do país, com a deposição dos governadores e de todos os intendentes. O fato é que é essa transição impossibilitou que a municipalidade honrasse o pagamento da obra que representa a sua data magna. Mas Parreiras, o maior pintor histórico desse pais, tem nosso agradecimento eterno, por ter sido justo e generoso com esta cidade, dando a este quadro o título que bem o sintetiza : Primeiro Passo para a Independência do Brasil.
E, de fato, o 25 de Junho tem este significado..

25 de Junho, que por esforços e empenho de uma cachoeirana valorosa, a deputada Lídice da Mata, hoje é também uma data histórica para todo a Bahia. Foi dela a idéia de criar umaa lei estadual que transforma nossa Cachoeira, a cada ano nessa data, em sede do governo estadual. 25 de Junho que, este ano, por ironia do calendário gregoriano, vai coincidir com outro embate entre brasileiros e portugueses. Mas desta vez a batalha será outra !

Se em 1822 o bombardeio da então Vila por tropas portuguesas ancoradas no Paraguaçu marcou o início da luta armada pela Independência do Brasil, passados 188 anos Brasil e Portugal voltarão a se enfrentar num 25 de Junho, num campo não de batalhas mortais. Desta vez será num campo de futebol, em partida pela Copa do Mundo. O esporte, demonstra mais uma vez - juntamente com a arte e a educação - ser o caminho óbvio para a obtenção da Paz. Nunca nos esqueçamos disso, se quisermos ajudar o nosso futuro; as nossas crianças e jovens a ser livres de todas as formas de violências. Não seremos dignos jamais de nosso passado glorioso, se não construirmos no presente os alicerces para um futuro onde os jovens de hoje venham a ter uma sadia e construtiva convivência e aprendam a ser cidadãos que construam o desenvolvimento em todas as suas formas e a paz em todas as sua virtudes.

A data de hoje, senhoras e senhores, registra o aniversário da Lei Provincial nº 43, com que o Presidente da Província da Bahia, Francisco de Souza Paraíso, elevou Cachoeira e Santo Amaro – no mesmo diploma , sim – à condição de cidades. Na mesma lei, Cachoeira recebeu o título de Cidade Heróica e Santo Amaro, o de Cidade Leal. Paraíso, que nascera em 1793 em Salvador e se formou em Direito na Universidade de Coimbra, tinha 44 anos e já ocupara cargos de juiz e desembargador do Tribunal da Bahia. Seu tumultuado governo foi abreviado pela revolta da Sabinada, que desafiou o Império e buscou para a Bahia uma autonomia federativa. Enquanto Salvador esteve em mãos dos rebeldes, o governo da Província se instalou em Cachoeira e daqui do Recôncavo partiu a reação e os revoltosos foram dizimados. Mais tarde, Francisco Paraíso veio a ser deputado e Ministro da Justiça, quando assinou com o Regente Diogo Feijó a primeira lei que estruturou os cursos elementares do Brasil. Morreu em 1843 como Senador do Império, representando a Bahia.

Como legislador ele teve atuação significativa, assim como devem ter todos os que recebem do povo a representação política. É inspirado nele que apelo aos atuais legisladores e gestores, como legítimos representantes do povo cachoeirano - a quem incumbimos da administração da nossa cidade - para que usem a vossa energia criativa em prol de políticas públicas voltadas para causas nobres como a educação e seus necessários complementos na construção da cidadania: a arte, a cultura e o esporte. Todos deram em passado recente muitas alegrias aos cachoeiranos. Refiro-me, sem desdouro de outros talentos, aos Tincoâs, de Dadinho e Eraldo – já falecidos – e, nunca é demais citá-lo como artista maior que é, Mateus Aleluia, orgulho de nossa terra e nossa gente.

No esporte tivemos a épica Seleção de Cachoeira a brilhar no futebol amador da Bahia. Outro destaque do esporte cachoeirano foram - passadas várias décadas ainda guardo na retina as lembranças - as competições de remo a embelezar as águas de um Paraguaçu festivo.

Paraguaçu, um rio que passa em nossa história ! Através dele adentrou-se o sertão e Cachoeira, encravada estrategicamente no seu último percurso navegável, servia de entreposto. Já no final do século XVII no século XVIII, éramos uma rota da Estrada Real, ligando as Minas Gerais à Cidade da Bahia, para daí embarcar o ouro e pedras preciosas da Colônia para servir de sustentáculo à Metrópole, para sustentar a corte de Lisboa.

Falava agora das lembranças da infância associadas ao Paraguaçu e nenhuma delas é tão viva quanto a de exatamente 50 anos atrás. Nessa mesma data, em 13 de março de 1960, Cachoeira estava praticamente submersa naquela que é sem exagero daquele garoto de cinco anos que a guardou na retina, senão a maior mas umas das maiores enchentes que esta cidade já viveu e sofreu. Aqui, embaixo, nas escadarias desse mesmo prédio tricentenário abrigaram-se dezenas de famílias, também assim o fora nas igrejas e escolas situadas em pontos altos, na Estação e no Ginásio. Cachoeira, qual uma Veneza barroca incrustada na paisagem colonial do Recôncavo, era tomada pelas águas do rio. A Enchente de 60 foi um marco que trouxe graves consequências, cruéis e devastadoras para a cidade, seu patrimônio e sua economia. A ela sucedeu-se um vertiginoso esvaziamento desta cidade.

São lembranças de uma época que muitos de nós, os que vivemos há mais de cinco décadas bem estimamos, porque assistimos no tempo seguinte à lenta agonia e a decadência econômica, pondo em risco nossos bens patrimoniais. À estagnação que se seguiu, veio também um certo encolhimento e Cachoeira foi posta numa espécie de redoma: este mesmo patrimônio, o casario colonial, seu acervo de bens imobiliários pareceu congelar no tempo e, contraditoria e repentinamente, o que aparentava ser atraso, transformou-se em fator de redenção décadas mais tarde. Mas, se Cachoeira entrou em um longo declínio, a esperança de nossa geração jamais decaiu. Acreditávamos sempre que através da cultura e do conhecimento, esta cidade voltaria a resgatar os seus tempos de glória. Tempos em que servia de referência para a Bahia e o Brasil. E a referência era o seu patrimônio. Esse mesmo que lhe possibilitou ser reconhecida como Cidade Monumento Nacional.

Este é mais um título que Cachoeira orgulhosamente ostenta. Em janeiro próximo completa-se 40 anos do decreto presidencial que assim definiu nossa cidade. É oportuno que o poder público local se mobilize junto a outras instâncias como os órgãos estaduais e federais que têm a missão de proteger o patrimônio material e imaterial, as instituições como a Fundação Pedro Calmon, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, o IPAC e o SPHAN, a academia, os estudantes, os pesquisadores para realizar um evento comemorativo, que sirva de reflexão, serena e racional, sobre o futuro que queremos construir para esta cidade e traçar as suas diretrizes.

Quando da criação da Universidade Federal do Recôncavo – obtida e garantida durante o governo do Presidente Lula – Cachoeira estava a postos, com seu ainda formidável acervo de referências históricas, para ser a cidade símbolo da vertente humanista dessa academia. Orgulha-me ver nossas ruas e bares, ao entardecer, ocupadas por hordas de jovens, com suas vestes , hábitos e linguagens, após saírem das salas e laboratórios, a discutir nos jardins e praças, cinema e filosofia, artes e história, jornalismo e liberdade.

Esta fase presente, aliada ao seu glorioso passado, faz Cachoeira tornar-se candidata em potencial a receber nos próximos dias o título de Capital Cultural da Bahia.

O livre-pensar, atributo típico dos jovens, aliado à sistematização de conhecimentos, produz em todas as partes e épocas, avanços significativos para as sociedades. E assim caminha a juventude em Cachoeira ...

E muitos deles têm conseguido superar os obstáculos para obter acesso ao ensino superior somente graças às consistentes políticas de inclusão social com que nosso Brasil começa a reparar males causados a populações inteiras que foram marginalizadas ao longo da sua história.

Quando estive em África, durante um ano, a trabalho, conheci e vivenciei o dia a dia doloroso e muitas vezes cruel de uma parte da população negra. Em Angola, de onde vieram em grande número legiões de escravos maltrapilhos e famintos que aqui na região foram usados nas lavouras da cana e do fumo, nos engenhos e nos armazéns de fabrico, conheci uma gente irmã e uma paisagem humana parecida com a do Brasil, a da Bahia, a de Cachoeira. Ambos, os negros e negras de Angola e os de nossa terra têm antepassados comuns. Em comum também, a tragédia da escravidão, a nódoa maior da história do nosso país.

Essa mesmo história do Brasil, repito, que passa por Cachoeira. Desde os tempos coloniais, dos engenhos que geravam o açúcar, parte da riqueza que abastecia a Metrópole Portuguesa e, internamente, só beneficiava a elite escravocrata. E na luta contra esse sistema concentrador e excludente, profundamente injusto e impiedoso para com a população negra e pobre, destacou-se um cachoeirano, de quem muito deveríamos nos orgulhar de ser conterrâneos e que estranhamente pouco ou quase nada conhecemos: André Rebouças. Ele que foi considerado por Joaquim Nabuco “o mais universal homem que conhecera” é infelizmente pouco conhecido até em Cachoeira. Radical em seu abolicionismo, pacifista, engenheiro e empreendedor ocupado sempre em iniciativas voltadas ao bem comum, André Rebouças sofreu em sua pele negra o odioso golpe do racismo, mas jamais desistiu. Contrariou e enfrentou na atividade empresarial poderosos e mercenários interesses. Cachoeira deve a esse homem de idéias humanistas e ações consequentes, pelo menos um busto em praça pública. Seu nome deveria ser cultuado nas escolas, e deveria ser ensinado às crianças e aos jovens dessa cidade que um de nossos conterrâneos pregou que sem Justiça não há Paz e que a libertação dos escravos, sem uma imediata reforma agrária – e aqui abro um parêntese para dizer que é dele a frase quem tem a terra, tem o homem - e sem a garantia de uma educação pública e de qualidade para adultos e crianças, os negros no Brasil continuariam condenados à miséria e à marginalidade. Infelizmente foi o que se viu nesse país. Somente com as atuais políticas de reparação é que o sonho e o legado de André Rebouças estão sendo realizados.

Este é um momento sublime não apenas para mim, modesto escriba e incurável curioso sobre fatos da história dessa cidade, cujas ruas me viram menino, como no dizer de um poeta. E são tantos os poetas, daqui e de outros cantos, que se rendem aos encantos de Cachoeira ... Permitam-me citar apenas um deles, mas que bem representa a totalidade. Trata-se de um mago das palavras, inexcedível em seu amor por esta terra. Cachoeira não teve a ventura de ser o seu berço natural, mas foi ele quem escolheu essa terra para viver, para criar, para dar vazão ao seu talento e para empreender cultura. Aqui ele fez o seu pouso, o pouso da sua palavra e de sua emoção incontida. Damário da Cruz é seu nome. Ora adoentado, receba Damário, o abraço solidário e toda a sinergia dos cachoeiranos para ajudá-lo a superar as vicissitudes da vida. Todos que o conhecemos e o amamos, compartilhamos de sua luta. Cachoeira lhe acolheu Damário e lhe tem como filho, pelo muito que fizestes, tem feito e ainda fará pela cultura dessa cidade. Sabemos que ele não é afeito a homenagens, mas é forçoso reconhecer o simbolismo delas, para servir como bálsamo que alivia, as horas de dificuldades e de dor.

Aos meus saudosos pais, que as gerações mais velhas conheceram, o Sr. Souza, coletor estadual e Dona Gisélia, membro da Irmandade do Sagrado Coração de Jesus, agradeço ter sido trazido ainda no braço, para Cachoeira, de onde saí na adolescência mas de onde nunca me afastei. Casei-me com Ana, ligada por laços aos familiares de um dos mais notáveis cachoeiranos, o Mastro Tranquilino Bastos, fundador da Lyra Ceciliana e autor do Hino da Cachoeira.

Tranquilino Bastos é um dos muitos cachoeiranos que honram nossa história. Artista talentoso, formador de várias gerações de músicos baianos e compositor profícuo - teve obras executadas até na Alemanha – que criou mais de 800 composições,entre músicas sacras e para banda. São dobrados, valsas, missas e outras peças que compõem este acervo, adquirido há trinta anos pelo Governo do Estado, e hoje encontra-se no Setor de Obras Raras da Biblioteca Central, onde está disponível para pesquisadores. Ainda este ano, esperamos lançar O SEMEADOR DE ORQESTRAS , a biografia desse homem que na noite de 13 de Maio de 1888 desfilou pelas ruas de Cachoeira à frente de uma multidão comemorando a assinatura da Lei Áurea, o fim, apenas formal, mas o fim da escravidão no Brasil. Em 1922 , por ocasião do Centenário do 25 de Junho, Tranquilino brinda a sua cidade com a maior de suas criações artísticas : O Hino da Cachoeira, que recebeu a pincelada final do poeta Sabino de Campos. Ambos esculpiram a melodia e a letra dessa composição que sempre arrebata de emoção o coração dos cachoeiranos.

Se no passado, temos tantas referências históricas, a esperança do futuro é um germe inquieto nas mentes e corações dos mais jovens. Por isso mesmo, saúdo daqui os meus filhos, filhos Diego e Desirèe, que desde pequenos aprenderam a conhecer, amar e cultuar Cachoeira. Dizem que quem sai aos seus não degenera … e como também acredito piamente no melhoramento das espécies, creio que os jovens cachoeiranos carregam a esperança de fazer pelo futuro de Cachoeira muito mais e melhor do que nossa geração fez futuro de Cachoeira.


Mas dizia, antes dessa deliciosa digressão sobre a minha ligação com Cachoeira, que estar aqui é também importante para a história de uma geração de cachoeiranos que tem sabido exercitar, cada um de uma maneira peculiar mas todos igualmente fervorosos, o amor a esta cidade, ao ambiente histórico que permeia a sua existência. Que cultiva e exalta seus valores maiores como a Irmandade da Boa Morte e as Festas do Rosário, da Ajuda e do Monte, ora religiosas e ora profanas, seus terreiros de cultos afro-brasileiros, sua culinária benfazeja, a alegria e a criatividade de sua gente, seus segredos guardados em documentos e monumentos... enfim a Cachoeira que amamos é uma só, bela mas infelizmente, às vezes maltratada, como demonstram o estado de seus rios. O Caquende e o Pitanga outrora piscosos e correntes, hoje transformados em quase esgotos a céu aberto, com suas margens ocupadas indevidamente, recebendo dejetos, e seus leitos assoreados. Mas nunca é demais sonhar em virar esse jogo: retirar os esgotos e recuperar as suas margens. Mas isso pode e deve ser sonhado juntos, principalmente, mas não apenas, pelos jovens, motores das transformações sociais, políticas e econômicas. E obviamente ambientais. Todos somos responsáveis ! .

Ainda embevecido por essa oportunidade que os senhores me deram, agradeço a todos aqui presentes, amigos e conterrâneos , especialmente à minha querida amiga e colega jornalista Alzira Costa. Com ela e com muitos outros de nossa geração, como Manuca Passos Pereira, Luiz Cachoeira, Gildete Calumby, Zezinho Lopes, Zé Pinheiro, Cal Passos, Lídice da Mata, Enéas Rocha e muitos outros aqui presentes, lutamos ombro a ombro, combatendo o bom combate : pela liberdade e pela democracia no Brasil, causa que a nossa geração deu seu modesto, porém valioso, contributo. Democracia que não se faz sem o contraditório, sem o debate e sem a crítica livre. Essas, muitas vezes eventualmente podem parecer injustas. Mas justas ou injustas, necessárias, elas sempre serão. Sabemos todos que muitas vezes podemos enxergar excessos em um ou noutro cronista que se ocupe do cotidiano, às vezes perturbado, do panorama político de nossa cidade, de nosso estado e de nosso país. Mas todos, quem critica e quem é criticado, devemos cultivar a responsabilidade de nossos respectivos papéis: respeito e tolerância, de ambas as partes são exigências para o convívio civilizado. Quem exerce funções públicas deve procurar conviver pacificamente com todos, até com quem diz coisas nem sempre agradáveis ou eventualmente injustas. Vamos, por direito, contestar nos canais próprios o que achamos inverdades, mas jamais tentar impedir, ou agredir o direito à livre manifestação.

Por isso mesmo, pemitam-me senhoras e senhores, homenagear outro cachoeirano, jornalista de outra época. Evoco aqui a figura de Ernesto Simões Filho, que nasceu ali no Largo do Monte, em casa vizinha à do Maestro Tranquilino Bastos. Fundador de A Tarde, Simões Filho envolveu-se com paixão e ardor nas lutas políticas de seu tempo. Eleito deputado federal, a Revolução de 1930, que citei agora há pouco, o prendeu e o exilou em Portugal. Anistiado, voltou à trincheira de sua luta política, à tribuna , ao batente e às oficinas do jornal, para liderar campanhas memoráveis em defesa da Bahia e da democracia. Novamente foi exilado e novamente voltou para sua luta, para lutar. Num desses retornos do exílio, veio visitar a sua terra, ele que saíra de Cachoeira rapazinho para ir estudar em Salvador, fez questão de saudar o Maestro Bastos , que fora amigo de seu pai. Já ancião, Tranquilino Bastos assim registrou com orgulho em seu diário no ano de 1934: “Hoje veio me visitar o Dr. Simões Filho”.

Mais tarde, com a redemocratização do país, Simões Filho veio a ser Ministro da Educação no segundo Governo de Getúlio Vargas, o mesmo homem que liderara a Revolução que o perseguira duas décadas atrás. Sua atuação à frente da pasta foi bastante condicionada pela tramitação, no Congresso, do projeto de lei sobre Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que desde 1946 vinha ocupando grande espaço nas discussões sobre o assunto no país (e continuaria a ocupar até 1961, quando seria finalmente aprovada). Ainda em 1951, foi criada no âmbito da sua pasta a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior, a CAPES, que regula o modelo de extensão universitária.


Pois bem, Era o ano de 1953 e o cachoeirano Ministro da Educação muito se empenhou para que sua cidade natal tivesse um estabelecimento de ensino modelar para a época: o Ginásio da Cachoeira, que viria a ser inaugurado quando ele já não era mais ministro. Em um momento oportuno terei a honra de passar às mãos do prefeito ou do Secretário de Cultura – para fazer parte do acervo iconográfico dessa cidade - fotografias que mostram Simões Filho e o então Governador Régis Pacheco em visita a Cachoeira no dia festivo para a inauguração do Ginásio, há 56 anos ! Há muito a fazer em Cachoeira para homenagear e honrar o legado de Simões Filho, como por exemplo , implantar nessa cidade, a terra de Simões Filho, o Museu da Imprensa, pois aqui desde a época da Independência vicejaram centenas de jornais, desde O Independente Constitucional, criado em 1823, em plena guerra, com tipos e máquina mandados vir do Rio de Janeiro pelo próprio Príncipe Dom Pedro de Alcântara, que acabara de proclamar o Brasil independente.
Simões Filho foi um jornalista destemido, político visceral e um cachoeirano que fez história ao renovar o jornalismo brasileiro com seu espírito empreendedor. Com ele inicia-se a fase em que os jornais deixam de ser feitos quase amadoristicamente, para se tornarem empresas; ele deu dimensão empresarial ao seu jornal e o resultado está aí; a Bahia tem uma das mais bem sucedidas empresas exclusivamente jornalísticas desse país. A Tarde, às vésperas de completar 100 anos, é fiel ao ideário de Simões Filho. Moderno e eficiente. E sempre a serviço da Bahia.

Há, entre muitos, um episódio de sua vida, bastante elucidador de seu caráter e de sua generosidade. Polêmico, odiado por uns e amado por muitos, obviamente não esteve a salvo de incompreensões. E num dia, encontra-se frente a frente com um grupo de estudantes exaltados que atacavam as suas idéias e o que ele representava. Cercado pela turba que gritava MORRA SIMÕES FILHO ! ele respondeu, fazendo coro às palavras de ordem dos estudantes exaltados, mas emendando : MORRA SIMÕES FILHO … MAS VIVA A BAHIA ! Desconcertados, os que o apupavam ferozmente, logo o aplaudiram. Assim foi a lição de tolerância, desse grande cachoeirano, que entrou para os anais da imprensa brasileira. A personalidade do jornalista e a linha editorial do jornal que criou eram extensões mútuas uma da outra.

A receita que Simões Filho utilizou está contida no ensinamento máximo do filósofo que citei no início dessa fala . Voltaire nos ensinou a máxima:

NÃO CONCORDO COM UMA SÓ PALAVRA DO QUE DIZEIS MAS DEFENDO ATÉ A MORTE O VOSSO DIREITO DE DIZE-LA.

Encerro aqui este louvor a Cachoeira apelando para que este passado valioso que aqui modestamente rascunhei, sirva a todos nós os atores sociais, indistintamente, como ferramenta para fixar os alicerces da construção de um futuro magnífico, pois … CACHOEIRA , SEU NOME É HISTÓRIA !

Muito Obrigado e VIVA CACHOEIRA !